10 FILMES PARA ASSISTIR NO HALLOWEEN

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Halloween está quase acabando, mas decidi preparar uma lista para quem quer curtir esta época do ano até o fim, nem que seja deitado olhando um bom filme. Obviamente que os filmes de horror não poderiam ficar de fora, mas para quem realmente não curte o gênero, também têm sugestões de outros, que de certa forma abraçam o clima de Halloween. Então, venha conferir uma vibe gótica trevosa! FELIZ HALLOWEEN!!!


A chegada de "Invocação do Mal" em 2013 revigorou o subgênero de casa mal assombrada e se consolidou como um dos maiores títulos de filmes de horror da última década. Consagrado pela crítica (86% no Rotten Tomatoes e 68 pontos no Metacritic) e pelo público (mais de 300 milhões de dólares de bilheteria), o filme conta a história do casal Warren, investigadores de atividades paranormais, chamados pela família Perron para conduzirem uma investigação ao qual certamente será necessário um caso de exorcismo. Aclamado como um filme do gênero acima da média, especialmente nos últimos anos, se diferenciando pelo forte elenco - em especial à Vera Farmiga que vive a clarividente Lorraine Warren, a cinematografia opaca e envelhecida que remete à uma filmagem dos anos 70, um bom desenvolvimento de relações entre a família e o casal protagonista, a criação da atmosfera do terror - não caindo em tentações fáceis como "jump scare" (sustos rápidos) - em um roteiro coeso e bem estruturado que garantiu este ano uma continuação.



Certamente toda criança nascida nos anos 90 já assistiu inúmeras vezes este clássico na Sessão da Tarde. E não há filme infantil que mais me remete ao Halloween do que este divertido musical estrelado por Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy. As três bruxas de Salem, após trezentos anos de suas mortes por enforcamento devido a prática de feitiçaria, retornam através da maldição que lançaram sobre a cidade para que consigam retomar suas imortalidades. Possuindo todos os clichês da data, como um gato preto enfeitiçado, a cativante "Spell on You" cantada por Bette Midler, o figurino inesquecível, as atrapalhadas aventuras que enfrentam para conseguir seus objetivos, provam que o Halloween não é somente horror e sustos, é também doces e travessuras.



Seria quase um insulto fazer uma lista sobre filmes de Halloween e não listar o filme que influencia até hoje o gênero de terror, como também consagrou o subgênero de slasher (assassinos mascarados) copiado por gerações até hoje. Michael Myers - juntamente com Fred Krueger, Jason, Leatherface e Ghostface de "Pânico" - foram os responsáveis pelos grandes clássicos a partir do final dos anos 70, atingindo o auge nos anos 80 e propiciando sátiras nos anos 90 ("Pânico"). Com uma trama bem simples, um psicopata mascarado que vai apunhalando e estrangulando as vítimas de uma pequena cidade, uma protagonista que sempre consegue escapar (Jamie Lee Curtis como a original "Scream Queen"), a morte de adolescentes bêbados que correm atrás de sexo, a menina que entra no porão ou na garagem (e a gente torcendo para que morra por tamanha burrice!) e é claro, a inconfundível trilha sonora. Todos os clichês do gênero foram estabelecidos aqui e nem preciso dizer que quase 40 anos depois ainda enxergamos resquícios de sua influência.



2016 está sendo um ótimo ano para os filmes de terror. E o terror, com seus incontáveis subgêneros, foi amplamente explorado este ano por excelentes produções, como: "A Bruxa" - religioso, subjetivo e provocativo; "Hush: A Morte Ouve" - ótima abordagem aos clássicos filmes de invasão domiciliar; "Rua Cloverfield 10" e "O Convite" - trabalha bem elementos de terror especulativo; "Invocação do Mal 2" - é uma rara continuação que faz jus ao original; "Águas Rasas" -provou que ainda é possível fazer um filme de tubarão sem cair na paródia. Porém, meu favorito nesta rica produção de filmes do gênero este ano, é a tensão e o medo criado pelo excelente "Quando as Luzes se Apagam". Explorando como tema central o "medo do escuro", e criando a partir disso a antagonista principal - Diana, portadora de uma rara deficiência ao qual não pode pegar luz - o filme cria uma sucessão de sustos, sem cair em um roteiro preguiçoso. E como 2016 está sendo ótimo para os amantes de filmes de terror, acho pertinente mencionar meu favorito.



Amelia (Essie Davis) cria seu filho sozinha após a morte de seu marido no dia do nascimento dele. Infeliz e sozinha, o sentimento da protagonista é espelhado na atmosfera do filme que te imerge em uma névoa de luto e pesar desde seu começo. Sua relação com o filho é extremamente complicada, particularmente pela personalidade do menino ser conturbada e até esquizofrênica. Em uma noite, o menino escolhe um livro chamado "Mr. Babadook" para que ela conte antes dele dormir. A partir da leitura do livro, coisas estranhas começam a acontecer na casa e consequentemente na vida dos dois. O melhor exemplo que nem sempre um bom filme de terror está associado à sangue, morte e mutilações. Aqui o terror é aos poucos, especulativo, subjetivo e acima de tudo, psicológico. E gradativamente, consegue se perceber que o pior tipo de monstro não é aquele visto em filmes, lidos em livros ou nos contos. É aquele que vive em você.



O primeiro sucesso estrondoso na história dos filmes de horror, teve grande influência sobre o futuro do gênero. Nunca, até então, um filme de terror tinha sido objeto de tamanha atenção de seu lançamento. É difícil transmitir o verdadeiro impacto cultural de "O Exorcista". O filme desafiou regras do que até então poderia ser mostrado no cinema, sua audácia ao satirizar a igreja católica e suas constantes cenas memoráveis que consagrou o rosto de Linda Blair, possuída pelo demônio, como a primeira imagem que representa o gênero como um todo. Talvez o responsável pelo maior medo que espectadores têm ao subgênero de demônios e espíritos. Sucesso absoluto de público (mais de 400 milhões na época) e crítica (10 indicações ao Óscar), eu não poderia negligenciar seu legado avassalador.



Baseado em supostos fatos reais, o diretor Bryan Bertino afirmou que se inspirou nos assassinatos de 1969 cometidos pela Família Manson e nos assassinatos de Keddie, ocorridos em 1981. O típico subgênero de "invasão domiciliar" é explorado no filme, quando o casal Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman) chegam à remota casa de veraneio dos pais de James após uma noite difícil, e aos poucos percebem a presença de três estranhos ao redor da casa. Os assassinos mascarados - influência dos filmes de slashers - brincam com as vítimas aos poucos, até o auge de suas resistências físicas e psicológicas. Seu terror aqui está tanto nos seus ataques diretos, como nas remotas aparições de um dos assassinos, contribuindo ao colapso de pânico e terror causado nas vítimas. E apesar de inúmeros ataques e sustos, o mais aterrorizante é descobrir o verdadeiro motivo daqueles estranhos estarem ali.



Até assistir "Coraline e o Mundo Secreto" eu não imaginava que seria possível sentir certo 'medo' ao assistir um filme de animação. E o diferencial de outras animações góticas, como "O Estranho Mundo de Jack" e "Noiva Cadáver", ambos de Tim Burton, e "ParaNorman", é seu o conteúdo adulto e sombrio. Não sombrio retratado apenas na cinematografia, em tons escuros e fúnebres, mas sombrio no perigo que é desejar ter uma vida perfeita. Entediada em sua nova casa, Coraline encontra uma porta secreta. Através dela tem acesso a outra versão de sua própria vida, porém a diferença é que neste outro lado tudo parece ser melhor, inclusive a relação com as pessoas que convive. E o contraste de cores vivas no mundo perfeito com tons mais escuros no seu mundo real, é uma excelente metáfora de sua depressão e tédio, em uma tentativa desesperada de refúgio. E obviamente, o filme não estaria aqui se não fosse por suas cenas macabras, dos inesquecíveis olhos-de-botão até a vilã que se revela aos poucos.



Apesar de ser oficialmente classificado como filme de terror e suspense, acredito que "Drácula de Bram Stoker" está mais intimamente ligado à um romantismo clássico com bons elementos de terror. Dirigido pelo renomado Francis Ford Coppola (responsável pela trilogia de "O Poderoso Chefão"), o filme conta a história do líder romeno Vlad Tepes (em uma atuação inesquecível de Gary Oldman) traído pela igreja que renega Deus e por seu castigo é condenado a "sede eterna" (vampirismo). Buscando a reencarnação de sua amada, Drácula não mede esforços para sentir novamente o aroma e o sangue daquela que acredita ser sua noiva, Mina, nesta vida chamada de Elizabetha (Winona Ryder). Considerado por muitos, e por mim, como o melhor filme de vampiro já feito, todos os elementos ligados ao icônico personagem estão aqui. Monstros saindo à noite, sujeitos ao grande lorde dos vampiros, acatando quer for necessário. Sua relação com a igreja e seu charme irresistível perpetuam na mente dos amantes de um bom clássico.



Confesso que não é meu filme favorito da lista, mas está no topo por uma simples razão: apesar de ser feito em baixíssimos orçamentos, no início dos anos 70, sem qualquer efeito de computação gráfica que hoje qualquer filme de terror utiliza, esse filme continua sendo, após 40 anos, assustador e horripilante. É um raro feito e merece estar em destaque. Leatherface, o assassino da serra elétrica, é o primeiro slasher de Hollywood e abriu caminhos para o subgênero para sempre. Seu ritmo frenético e estilo quase documental, gerou o título de "um dos filmes independentes mais lucrativos da história do cinema". A corrida aparentemente infinita que o vilão faz ao perseguir a última sobrevivente do filme, ao qual diversas vezes parece logo conseguir ataca-lá, é tão fresca na memória quanto o barulho que a serra emite. Considerando-o, sem medo de errar, um dos filmes de terror mais assustadores já feitos.

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